julho 23, 2003

Um Consolo

Noites há, em que, sentado à lareira, no quarto mais resguardado de todos, sinto subitamente a morte cercar-me: no fogo, nos objectos ponteagudos que me rodeiam, no peso do tecto e na massa das paredes; na água, na neve, no calor, no meu sangue. Pergunto-me então o que vem a ser a nossa muito humana sensação de segurança, e percebo que não passa de um consolo para o facto de a morte ser o há demais próximo à vida. Pobre consolo que não cessa de nos recordar o que desejaria fazer-nos esquecer!

in A Nossa Necessidade de Consolo é Impossível de Satisfazer, Stig Dagerman

Publicado por dolphin.s em julho 23, 2003 05:53 PM
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